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sábado, 3 de julho de 2010

“Gota D’Água” ganha duas apresentações no Rio e será gravada para Internet



'Gota D´Água', musical de Chico Buarque e Paulo Pontes dirigido por João Fonseca, retornará ao teatro, após dois anos, nos dias 3 e 4 de julho, especialmente para gravação da Cennarium (www.cennarium.com) - empresa especializada em realizar transmissões de peças teatrais e espetáculos culturais on demand via internet. A captação será no teatro João Caetano.

“É muito honroso saber que a remontagem desse espetáculo de grande sucesso só está sendo feita por causa da Cennarium. Além de fazer o registro histórico, esse fato vai ao encontro do principal propósito da nossa empresa: fomentar a inclusão sócio-cultural através da disponibilização na internet de grandes sucessos teatrais do eixo Rio-São Paulo” enfatiza Roberto de Lima, diretor da Cennarium.

Espetáculo inspirado na tragédia “Medeia” de Eurípedes, a Gota D´Água conta a história de Joana, uma mulher humilde que mora no subúrbio de uma importante cidade brasileira e vive uma grande traição. Jasão, seu marido, a troca por uma menina rica e mais jovem.

“Vejo na oportunidade que a Cennarium nos traz diversos pontos positivos. Além da captação das imagens com altíssima qualidade, podemos levar nosso espetáculo, através da internet, para cidades de dentro e fora do Brasil que dificilmente chegaríamos” comemora Izabella Bicalho, produtora e protagonista da montagem atual. Idealizado em meados dos anos 70, época de censura federal e de repressão ideológica, e remontado em 2007, o musical arrebatou, com temporadas nacionais e internacionais, públicos e crítica sendo indicado, e vencedor, de diversos prêmios como, por exemplo, Prêmio Shell, Prêmio APTR, Contigo e o Qualidade Brasil.

“Gota D´Água resgata o valor da palavra, exaltando a poesia lírica, ao mesmo tempo em que expressa uma dura crítica social” comenta Bicalho. “Além de tudo isso, é um grande prazer poder interpretar um texto do Chico Buarque em um papel que já foi feito pela Bibi Ferreira”, diz.


Fonte: Tribuna do Norte

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sobre Gota D´Água


Em 1975, Chico escreveu com Paulo Pontes a peça Gota d'água, a partir de um projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação de Medéia, de Eurípedes, para a televisão.

A tragédia urbana, em forma de poema com mais de quatro mil versos, tem como pano de fundo as agruras sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, um compositor popular cooptado pelo poderoso empresário Creonte.

Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário. A primeira montagem teve Bibi Ferreira no papel de Joana e a direção de Gianni Ratto.


Elenco da primeira montagem:

Bibi Ferreira: Joana
Oswaldo Loureiro: Creonte
Luiz Linhares: Egeu
Roberto Bomfim: Jasão
Bete Mendes: Alma
Sonia Oiticica: Corina
Carlos Leite: Cacetão
Isolda Cresta: Nenê
Norma Sueli: Estela
Selma Lopes: Zaíra
Maria Alves: Marta
Roberto Rônei: Boca Pequena
Isaac Bardavi: Amorim
Geraldo Rosas: Xulé
Angelito Melo: Galego


O que foi escrito sobre a "Gota D´Água" (1975):

"(...) Desde os minutos iniciais do espetáculo, a extraordinária riqueza do texto, certamente um dos mais belos e densos da moderna dramaturgia nacional, voltou a exercer sobre mim a sua magia e impacto. Efeitos estes que se devem, no plano mais imediato, à fabulosa força poética do diálogo".

Yan Michalski


"(...) a peça se valoriza pelos versos admiráveis. Nunca a poesia exerceu, em nosso teatro, uma função dramática tão feliz. As palavras se encadeiam com maravilhosas surpresas sonoras e ao mesmo tempo brotam com uma incrível espontaneidade. (...) Gota d'água alia muito bem um motivo clássico a um tratamento brasileiro, em bela linguagem literária. A adaptação não é só brasileira: é moderna e universal".

Sábato Magaldi


"Em Gota D'Água, a teatralidade e a poesia, o humor e a paixão, a observação justa e 0 permanente significado realista-crítico de todas as cenas, trazem uma correta inversão do significado ideológico do teatro clássico: 0 homem, aqui, não é uma vitima de forças eternas e invencíveis. Não está passivamente submetido aos deuses e aos poderosos. Como em Brecht, o homem é o destino do homem. Gota d'Água é uma eloqüente afirmação de que o homem transforma. Constrói seu destino e sua liberdade".

Fernando Peixoto


"Todos eles (atores) transfigurados, reiluminados por essa grande e sensível intérprete que é Bibi Ferreira. Tão fantástico é o seu dom para o teatro que consegue superar seus próprios limites físicos para viver Joana, a Medéia brasileira, com uma garra de leoa, um ímpeto, uma honestidade que ultrapassam barreiras de tempo e de estilo, de escola e de forma. Bibi mostra o que é o ator quando entra em cena banhado dessa emoção sagrada que é energia teatral transformada em personagem vivida às últimas consequências".

Alberto Guzik